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Imagine uma empresa com 42 milhões de clientes em todos os continentes e que adiciona diariamente 130 mil novos membros a esta base. Agora imagine fazer isso tendo apenas 140 funcionários e menos de dois anos de existência. Parece inverossímil, mas esse empreendimento existe e atende pelo nome de Skype. Trata-se da empresa fornecedora do software homônimo que, baixado gratuitamente na web e instalado no computador pessoal, permite fazer ligações telefônicas - inclusive internacionais - pela internet pagando apenas o custo da conexão.
O produto virou uma febre mundial e o co-fundador e principal executivo do Skype, o sueco Niklas Zennström, foi alçado à condição de mais nova estrela do mundo tecnológico. Com 2 milhões de usuários e uma taxa de adesão próxima a 7 mil novos clientes todos os dias, o Brasil assumiu um papel importante na breve história de sucesso da empresa. O país já conquistou a quarta maior base de usuário do Skype em todo o mundo - atrás apenas dos Estados Unidos, Taiwan e Polônia.
"É um mercado muito importante para nós e com enorme potencial de crescimento", disse Zennström em entrevista ao Valor usando o Skype para falar, de Londres, com uma linha convencional em São Paulo. A América Latina como um todo detém cerca de 9% da base global de clientes.
Considerando que o Brasil possui baixo índice de uso de computadores e de acesso à internet e um mercado de conexão em banda larga - fundamental para a qualidade da ligação com o Skype - ainda mais restrito, o que explica o sucesso do software no mercado local? "Provavelmente o custo da tarifa telefônica deve ser muito elevado. Em um país com problemas econômicos, conseguir uma ligação gratuita ou de baixo custo tem um apelo forte", afirmou.
Se o sistema que permite conversar praticamente de graça com alguém do outro lado do planeta seduz os brasileiros, é o baixo custo de operar a companhia que encanta os investidores de todo o mundo. Os usuários tomam conhecimento do Skype por indicação de amigos e, a partir daí, entram espontaneamente no site e baixam o produto.
"Não temos custo de aquisição de cliente e nem investimos em marketing. Também não administramos uma rede de telefonia e portanto não gastamos com infra-estrutura. Apenas fazemos um software inteligente que se vale das redes mantidas pelas operadoras para atender a milhões de pessoas ao redor do mundo", disse Zennström. "Utilizamos equipes muito pequenas. Nos Estados Unidos temos somente quatro pessoas; no Japão, três. Operamos com um custo muito baixo."
Conter as despesas não é uma preocupação, mas aumentar as receitas é o grande desafio do Skype. O modelo de negócios baseia-se na oferta de serviços pagos. O grosso da base de usuários utiliza o sistema gratuito, que permite a um computador com o software instalado conversar via internet com outra máquina que também possui o programa. Dos 42 milhões de usuários, a companhia contabiliza 1,5 milhão de assinantes de serviços pagos, o que inclui o sistema que permite usar o Skype para falar com uma linha fixa ou celular.
O mais recente exemplo de produto pago é o Voicemail, por meio do qual é possível deixar um número ilimitado de recados para qualquer usuário de Skype que não esteja presente ou que tenha se desconectado da internet. O custo da assinatura é de US$ 7 por três meses ou US$ 19 por um ano. "Vamos ampliar cada vez mais a oferta de serviços pagos", disse Zennström, pouco antes de a ligação, que em certos momentos ficou entrecortada, cair, evidenciando que o produto ainda precisa de alguns aperfeiçoamentos.
Ricardo Cesar De São Paulo
Valor Online
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